Num inquérito da Nielsen Portugal realizado em 2023, 71% dos consumidores portugueses afirmaram que a sustentabilidade influencia as suas decisões de compra. Mas quando questionados sobre disponibilidade de pagar mais por produtos mais sustentáveis, apenas 28% disseram estar dispostos a pagar 10% ou mais de premium.
O gap entre intenção e comportamento
Este hiato entre atitudes e comportamento é bem documentado na literatura de comportamento do consumidor. As razões são claras: em contexto de pressão orçamental, a sustentabilidade perde para o preço nas decisões quotidianas.
Onde os portugueses efectivamente pagam mais pelo factor sustentabilidade
- Produtos locais e regionais — Especialmente queijos, enchidos e vinhos de região específica. O "premium de proximidade" é percepcionado como qualidade, não apenas ética.
- Ovos de galinhas criadas ao ar livre — Um dos poucos produtos onde o premium de 30-50% encontrou aceitação generalizada.
- Frutas e legumes de agricultores locais — Mercados de produtores locais cresceram significativamente pós-pandemia.
Onde o premium não funciona
- Embalagens biodegradáveis sem benefício percepcionado para o consumidor
- Produtos bio em categorias onde a diferença de sabor não é evidente (sal, açúcar, massas)
- Produtos com certificação de carbono sem ligação clara ao benefício
A sustentabilidade económica como ponte
A intersecção mais eficaz entre sustentabilidade e comportamento de compra é a que liga sustentabilidade ambiental e económica. Comprar menos (mas melhor), desperdiçar menos, comprar da época — são práticas que poupam dinheiro E são mais sustentáveis. A Menna alinha-se exactamente com estes valores: menos desperdício, compras mais precisas, impacto ambiental e financeiro reduzido ao mesmo tempo.